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Desfibrilador: como usar um DEA em uma emergência

Por Leila Alves Pereira5 min de leitura
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Desfibrilador: como usar um DEA em uma emergência

Resumo em 30 segundos

O desfibrilador externo automático, o DEA, foi feito para ser usado por qualquer pessoa: ele fala o passo a passo e só dá choque se precisar. Veja como agir, sempre ligando para o 192, e o que diz o estudo sobre drones com desfibrilador.

Neste artigo

O desfibrilador externo automático, conhecido como DEA, é um aparelho portátil feito para ser usado por qualquer pessoa, mesmo sem formação em saúde: ele analisa o ritmo do coração da vítima, orienta em voz alta cada etapa e só libera o choque se identificar que ele é necessário. Diante de alguém desacordado que não respira normalmente, o primeiro passo é sempre ligar para o 192, do SAMU. O tema voltou ao noticiário com um estudo francês que simulou uma rede de drones para levar o aparelho até as vítimas muito mais rápido do que acontece hoje.

O que diz o estudo dos drones com desfibrilador

A pesquisa analisou mais de 28 mil ocorrências de parada cardíaca fora do hospital registradas na Grande Paris entre 2011 e 2024. Hoje, segundo os autores, apenas 30% a 40% das vítimas têm acesso a um desfibrilador em até cinco minutos. No modelo simulado com drones, a cobertura passaria de 99% dos casos.

O sistema proposto prevê que os drones sejam acionados diretamente pelas centrais de emergência, com voos automatizados e controle final feito por pilotos treinados.

É importante entender o que esse resultado é: uma simulação feita com dados reais, e não um serviço funcionando. Os próprios autores ressaltam que o trabalho ainda não passou por revisão por pares, a etapa em que outros cientistas avaliam o estudo, e que ele será apresentado no Congresso Europeu de Medicina de Emergência.

Por que cada minuto importa numa parada cardíaca

Na parada cardíaca, o coração deixa de bombear sangue de forma eficaz. Em muitos casos, isso acontece porque ele entra num ritmo elétrico desorganizado, em que o músculo treme em vez de contrair.

O choque do desfibrilador serve justamente para interromper esse ritmo caótico e dar ao coração a chance de voltar a bater de forma organizada. Quanto mais cedo ele é aplicado, maiores as chances de sucesso. Por isso o estudo francês mede o acesso ao aparelho em minutos: a demora reduz as chances de sobrevivência.

Enquanto o desfibrilador não chega, as compressões no peito mantêm um pouco de sangue circulando até o cérebro. As duas coisas se completam.

Como usar um DEA, passo a passo

As orientações abaixo são uma visão geral. Elas não substituem um curso de primeiros socorros, e o atendente do 192 pode orientar por telefone durante toda a ocorrência.

1. Verifique a pessoa e peça ajuda

Chame a vítima em voz alta e toque nos ombros. Se ela não responder e não estiver respirando normalmente, ligue para o 192 ou peça para alguém ligar, de preferência no viva-voz. Peça também que alguém procure um DEA por perto.

2. Comece as compressões

Com a vítima deitada de costas sobre uma superfície firme, posicione as mãos uma sobre a outra no centro do peito e empurre forte e rápido, deixando o peito voltar entre uma compressão e outra. Siga as instruções do atendente.

3. Ligue o aparelho

Assim que o DEA chegar, abra a tampa ou aperte o botão de ligar. A partir daí, ele começa a falar e indica exatamente o que fazer.

4. Cole as pás no peito

Descubra o peito da vítima e seque se estiver molhado. As pás adesivas trazem um desenho mostrando onde colocar cada uma, normalmente uma abaixo da clavícula direita e outra na lateral esquerda, abaixo do peito.

5. Afaste todos durante a análise

O aparelho avisa quando vai analisar o ritmo do coração. Ninguém deve tocar na vítima nesse momento.

6. Siga a orientação do aparelho

Se o choque for indicado, o DEA pede para todos se afastarem e para apertar o botão de choque, ou aplica sozinho, dependendo do modelo. Se não for indicado, ele não dá choque. Em seguida, orienta a retomar as compressões. Continue seguindo as instruções até a equipe de emergência chegar.

Medos comuns de quem nunca usou

Muita gente hesita por medo de machucar a vítima ou de levar choque. O aparelho foi projetado para reduzir esses riscos: ele só libera o choque quando detecta um ritmo que precisa dele, e avisa em voz alta antes de cada etapa.

Outro receio é fazer algo errado. Diante de uma parada cardíaca, não agir é o maior risco. Ligar para o 192, começar as compressões e usar o DEA seguindo as instruções é o que se espera de quem está por perto.

Onde encontrar um desfibrilador

DEAs costumam ficar em locais de grande circulação, como aeroportos, estações, shoppings, estádios, academias e grandes empresas, geralmente em caixas sinalizadas na parede. Em várias cidades brasileiras, leis locais exigem o aparelho em espaços desse tipo.

Vale reparar onde ficam os desfibriladores nos lugares que você frequenta. E, para quem quer se sentir seguro, cursos de primeiros socorros ensinam compressões e uso do DEA na prática, com bonecos de treino.

Perguntas frequentes

Qualquer pessoa pode usar um desfibrilador?

Sim. O desfibrilador externo automático foi feito para leigos: ele explica cada passo em voz alta e só libera o choque se detectar que é necessário. Ainda assim, um curso de primeiros socorros ajuda a agir com mais segurança.

O que fazer antes de usar o DEA?

Verificar se a pessoa responde e respira normalmente e, se não, ligar para o 192, do SAMU. Enquanto o aparelho não chega, as compressões no peito devem começar, seguindo a orientação do atendente.

O desfibrilador pode dar choque em quem não precisa?

O aparelho analisa o ritmo do coração antes de qualquer choque e só o libera quando identifica um ritmo que precisa dele. Se não for o caso, ele orienta a continuar as compressões.

Os drones com desfibrilador já estão funcionando?

Não. O resultado divulgado vem de um estudo que simulou uma rede de drones com dados de mais de 28 mil casos na Grande Paris. O trabalho ainda não passou por revisão por pares.

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