Pular para o conteudo
Central da TI
tecnologia

Central multimídia pega vírus? O que se sabe até agora

Por Leila Alves Pereira4 min de leitura
Compartilhar:
Central multimídia pega vírus? O que se sabe até agora

Resumo em 30 segundos

A central multimídia do carro é um pequeno computador, muitas vezes com Android, e por isso pode pegar vírus. Entenda o caso descoberto pela Kaspersky, o que o malware fazia e como reduzir o risco no seu carro.

Neste artigo

Sim, uma central multimídia pode pegar vírus, porque ela é um pequeno computador conectado, e muitas rodam o mesmo Android dos celulares. Isso deixou de ser hipótese: pesquisadores da Kaspersky descobriram uma campanha de malware que infectou centrais multimídia automotivas baseadas em Android, usando o carro como peça de uma rede criminosa sem que o motorista percebesse. Freios e direção não foram afetados, mas o caso mostra que a tela do painel merece o mesmo cuidado que se tem com um celular.

O que a Kaspersky descobriu

Segundo os pesquisadores, o ataque explorava o TWCore, um aplicativo usado para atualizar o software das centrais da fabricante DoFun. Por esse caminho, os criminosos instalavam um componente malicioso chamado JarService, sem nenhum aviso na tela.

Com o equipamento comprometido, o carro passava a servir de proxy, ou seja, de intermediário para tráfego de internet de terceiros, e era usado em botnets e em fraudes publicitárias. A operação foi associada ao MoYu Group, o mesmo grupo apontado como responsável pela botnet BadBox, conhecida por atingir aparelhos Android baratos.

A invasão permitia controlar funções periféricas da central, mas não foram encontradas evidências de acesso a sistemas críticos de segurança, como freios ou direção. A DoFun foi notificada e informou que a vulnerabilidade já foi corrigida.

Por que a central multimídia é um computador

Quem olha para a tela do painel vê mapa, música e câmera de ré. Por baixo disso, existe um processador, memória, armazenamento e um sistema operacional, igual a qualquer tablet.

Muitas centrais, especialmente as vendidas no mercado de acessórios para substituir o rádio original, usam Android. Isso traz vantagens: dá para instalar aplicativos de navegação, streaming e espelhamento do celular. Mas também traz os problemas conhecidos do Android, como aplicativos com permissões demais e versões antigas do sistema que deixaram de receber correções.

Além disso, a central costuma estar conectada à internet, seja por um chip próprio, seja pelo Wi-Fi compartilhado do celular. E tudo o que está conectado pode ser alcançado por quem procura uma porta aberta.

Como o vírus entrou sem o motorista perceber

O detalhe mais incômodo do caso é a porta de entrada. O malware não chegou por um aplicativo baixado de site estranho, mas por um programa de atualização do próprio sistema. Esse tipo de aplicativo tem permissão alta, justamente porque precisa trocar partes do software.

Quando um canal de atualização é usado para instalar algo indevido, o usuário não tem como notar, porque aquilo parece uma atualização comum. É o mesmo princípio de ataques à cadeia de fornecimento em computadores: em vez de enganar a pessoa, o criminoso se aproveita de algo em que o aparelho já confia.

Para que serve o carro numa rede criminosa

Um carro infectado não é interessante pelo que guarda, mas pela conexão que oferece. Milhares de aparelhos espalhados, cada um com um endereço de internet diferente, ajudam criminosos a esconder a origem de acessos e a simular pessoas reais. Na fraude de anúncios, esses aparelhos geram cliques e visualizações falsas, e o anunciante paga por um público que não existe.

O que o motorista pode fazer

Não é motivo para pânico nem para arrancar a central do painel. Algumas atitudes simples reduzem bastante o risco.

Prefira marcas com suporte

Centrais genéricas, sem marca conhecida ou sem site do fabricante, costumam vir com versões antigas do Android e raramente recebem atualização. Antes de comprar, vale verificar se a empresa tem assistência técnica no Brasil e se publica atualizações.

Mantenha o sistema atualizado

Se o fabricante liberar uma correção, instale. No caso descoberto, a falha foi corrigida pela fabricante, e só quem recebe a atualização fica protegido.

Instale só o necessário

Evite aplicativos de fontes desconhecidas e arquivos APK enviados por grupos ou vendedores. Quanto menos programas, menos portas de entrada.

Repare em comportamentos estranhos

Consumo alto de dados no plano do celular quando ele está ligado à central, lentidão sem motivo ou aplicativos que você não instalou são sinais para procurar o fabricante ou um técnico de confiança.

O que muda para os carros conectados

O caso entra numa lista crescente de alertas sobre segurança em veículos. Carros modernos têm vários computadores, recebem atualizações pela internet e conversam com aplicativos no celular. Isso traz conforto, mas exige que fabricantes tratem atualização segura como parte do produto, e não como detalhe.

Para o motorista, a lição é prática: a central do carro deve ser vista como mais um aparelho conectado da casa, com os mesmos cuidados de origem, atualização e aplicativos.

Perguntas frequentes

Central multimídia pode pegar vírus?

Pode. Ela é um computador com sistema operacional, muitas vezes Android, e costuma estar conectada à internet. Por isso está sujeita aos mesmos tipos de ataque que celulares e tablets.

O vírus descoberto podia controlar o freio do carro?

Não foram encontradas evidências disso. Segundo os pesquisadores, o malware controlava funções periféricas da central, e sistemas críticos como freios e direção não foram afetados.

A falha já foi corrigida?

A fabricante DoFun foi notificada pela Kaspersky e informou que a vulnerabilidade já foi corrigida em seus sistemas. Quem tem uma central dessa marca deve verificar se recebeu a atualização.

Como saber se a central do meu carro é segura?

Prefira modelos de marcas com suporte no Brasil, mantenha o sistema atualizado, evite instalar aplicativos de fontes desconhecidas e fique atento a consumo de dados ou comportamento fora do normal.

Compartilhar:

Leia tambem

Usamos cookies próprios para medir o uso do site (métricas anônimas, sem vender dados). Você pode aceitar ou recusar.