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Robôs que sobem paredes: como os ímãs seguram o peso

Por Leila Alves Pereira5 min de leitura
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Robôs que sobem paredes: como os ímãs seguram o peso

Resumo em 30 segundos

Robôs que sobem paredes de aço usam ímãs que ligam e desligam com um pulso elétrico. Entenda como eles seguram o peso, por que funcionam em navios e não em paredes de casa, e conheça o robô coreano que solda andando pelo teto.

Neste artigo

Robôs que sobem paredes existem e já trabalham em indústrias, e a forma mais comum de fazer uma máquina grudar numa superfície vertical de aço é usar ímãs potentes nas patas ou nas rodas. O exemplo mais recente é o DIDEN Spider, um robô de quatro patas da startup sul-coreana DIDEN Robotics que escala paredes e anda pelo teto de estruturas metálicas carregando até 30 quilos. Ele foi pensado para soldar navios em lugares altos ou apertados, onde o trabalho hoje é perigoso para pessoas.

O robô coreano que solda andando pelo teto

A DIDEN Robotics foi fundada em 2024 por pesquisadores da KAIST, uma das principais universidades de ciência e tecnologia da Coreia do Sul. O DIDEN Spider tem ímãs de adesão eletropermanente nas quatro patas, o que permite que ele suba paredes e caminhe de cabeça para baixo em superfícies de aço.

A versão Spider 30, capaz de transportar até 30 quilos, foi exibida na conferência GTC 2026 da Nvidia, com destaque para tarefas de soldagem e inspeção. Ainda em 2024, a empresa firmou um acordo com a HD Hyundai Heavy Industries, uma das grandes construtoras navais do país, para integrar os robôs na construção de navios.

O objetivo declarado é reduzir riscos ocupacionais nos estaleiros, diminuindo a necessidade de trabalhadores em áreas de altura e espaços confinados.

Como um ímã segura o peso de um robô

A ideia parece simples: ímã gruda em ferro. Mas um robô que anda precisa de algo a mais. Ele tem que prender uma pata com força, soltar na hora certa para dar o passo e prender de novo, a cada passo, sem cair.

Ímã comum, eletroímã e eletropermanente

Um ímã permanente, como o de geladeira, está sempre ligado. Ele segura bem, mas é difícil de soltar. Um eletroímã só atrai enquanto passa corrente elétrica pela bobina: liga e desliga com facilidade, mas gasta energia o tempo todo e solta tudo se a bateria acabar.

O ímã eletropermanente junta o melhor dos dois. Ele combina materiais magnéticos com uma bobina, e um pulso curto de corrente muda o estado do ímã entre ligado e desligado. Depois do pulso, ele continua no estado escolhido sem consumir energia. Para um robô pendurado no teto, isso significa economia de bateria e mais segurança, porque uma falha de energia não faz a pata soltar sozinha.

Força, peso e atrito

Numa parede vertical, o ímã não precisa só puxar o robô contra a superfície. Ele precisa gerar atrito suficiente para que o peso não faça a máquina escorregar para baixo. No teto, a força magnética tem que vencer diretamente o peso do robô e da carga. Por isso os projetistas calculam a força de cada pata com folga, considerando também ferramentas pesadas, como um equipamento de solda.

Por que funciona em navio e não na parede de casa

Ímãs só atraem materiais ferromagnéticos, como o ferro e a maioria dos aços. O casco e a estrutura de um navio são feitos de chapas de aço, o ambiente perfeito para esse tipo de robô.

Paredes de casa são feitas de tijolo, concreto, gesso ou madeira, materiais que o ímã simplesmente ignora. Mesmo onde há ferro dentro do concreto, ele fica escondido e espaçado demais para sustentar um robô. Superfícies de alumínio e vidro também não funcionam com ímã.

Para esses casos, os robôs escaladores usam outras técnicas, como ventosas e sucção a vácuo, comuns em robôs que limpam janelas de vidro, ou garras e materiais adesivos inspirados nas patas das lagartixas, ainda bastante experimentais.

Onde mais os robôs escaladores trabalham

Além dos estaleiros, robôs magnéticos são usados em lugares onde há muito aço e o acesso humano é difícil ou arriscado.

Tanques e tubulações

Na indústria de petróleo, química e de energia, robôs percorrem tanques de armazenamento e tubulações para medir a espessura das chapas e procurar corrosão, evitando que alguém precise montar andaimes ou entrar em espaços fechados.

Pontes, torres e estruturas metálicas

Estruturas de aço precisam de inspeções periódicas. Robôs com câmeras e sensores podem verificar soldas e pontos de ferrugem em alturas que exigiriam equipamentos de escalada.

Inspeção de cascos

Navios em operação também precisam de vistoria. Robôs que andam pelo casco ajudam a identificar desgaste sem colocar inspetores pendurados.

O que muda para quem trabalha na indústria

A promessa desses robôs não é tirar o soldador da equação, mas mudar o lugar onde ele trabalha. Em vez de passar horas num espaço apertado ou a muitos metros de altura, o profissional pode supervisionar a máquina de um lugar mais seguro. Para os estaleiros, a expectativa é ganhar eficiência em processos repetitivos e de difícil acesso.

Perguntas frequentes

Como os robôs sobem paredes de aço?

A maioria usa ímãs potentes nas patas ou nas rodas. No caso do DIDEN Spider, são ímãs eletropermanentes, que ligam e desligam com um pulso elétrico e continuam presos sem gastar energia.

Quanto peso o robô coreano consegue carregar?

A versão Spider 30 transporta até 30 quilos, o suficiente para levar equipamentos de soldagem enquanto escala paredes e anda pelo teto de estruturas metálicas.

Um robô com ímã consegue subir a parede de casa?

Não. Ímãs só atraem materiais como ferro e aço, e paredes de tijolo, concreto ou gesso não oferecem essa aderência. Para vidro e outras superfícies, existem robôs com ventosas e sucção.

Onde o DIDEN Spider vai ser usado?

Principalmente na construção naval. A DIDEN Robotics tem um acordo com a HD Hyundai Heavy Industries para usar o robô em soldagens em áreas altas e espaços confinados dos estaleiros.

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