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Robô doméstico: o que ele já faz em casa e o que ainda não

Por Leila Alves Pereira5 min de leitura
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Robô doméstico: o que ele já faz em casa e o que ainda não

Resumo em 30 segundos

Do aspirador que limpa sozinho ao humanoide que tenta dobrar toalha, o robô doméstico avança em etapas. Veja o que já dá para comprar, o que está em teste em casas reais e por que tarefas simples são tão difíceis para uma máquina.

Neste artigo

O robô doméstico que já está nas casas faz tarefas bem específicas: aspira e passa pano no chão, corta grama, limpa piscina ou vidro. O robô que faz de tudo, arruma a cama, dobra roupa e guarda objetos, ainda está em fase de testes. Um desses testes acaba de ganhar destaque: a Figure AI colocou seu robô humanoide para trabalhar em 30 casas reais de São Francisco, nos Estados Unidos, e ele concluiu pouco mais da metade das tarefas, um avanço grande em relação à versão anterior, mas ainda longe de ser um produto pronto para qualquer lar.

O teste do robô humanoide em 30 casas reais

O experimento usou o Helix 2.5, novo sistema de inteligência artificial da empresa. O diferencial foi o cenário: as 30 residências eram desconhecidas para o robô. Ele não recebeu um mapa prévio do ambiente nem passou por uma coleta de dados específica de cada casa antes de começar.

As tarefas eram do dia a dia: organizar salas, dobrar toalhas e arrumar camas. Ao todo, foram registradas 420 tentativas. O robô com o Helix 2.5 teve 56% de sucesso. A versão anterior, sem o pré-treinamento que a empresa chama de Index, tinha alcançado apenas 9%. Durante os testes, a máquina operou por quatro horas ininterruptas.

Há duas ressalvas importantes. A primeira é que os dados foram coletados pela própria empresa e ainda não passaram por validação independente. A segunda é que 56% significa que, em quase metade das tentativas, a tarefa não foi concluída. É um salto real em pouco tempo, mas também um retrato honesto de quanto ainda falta.

O que um robô doméstico já faz hoje

Robôs especializados estão nas casas há mais de duas décadas, desde que os primeiros aspiradores autônomos chegaram ao mercado no início dos anos 2000.

Aspiradores e robôs que passam pano

São os mais populares. Os modelos atuais mapeiam os cômodos com sensores ou câmeras, desviam de móveis, voltam sozinhos para a base de carregamento e, em alguns casos, esvaziam o próprio reservatório. Muitos também passam pano úmido.

Cortadores de grama, limpadores de piscina e de vidro

Funcionam com a mesma lógica: uma tarefa só, num espaço delimitado. O cortador de grama percorre o jardim dentro de uma área definida, o robô de piscina varre fundo e paredes, e o de janela se prende ao vidro por sucção.

Assistentes e casa conectada

Alto-falantes inteligentes, lâmpadas, tomadas e fechaduras controladas pelo celular não são robôs no sentido de ter braços e pernas, mas automatizam pedaços da rotina, como acender a luz ou ligar um aparelho em determinado horário.

O ponto em comum é que todos fazem uma coisa só, num ambiente previsível. Por isso funcionam bem.

O que ainda não faz: o robô que cuida de tudo

O sonho antigo é um robô de uso geral, capaz de entrar em qualquer casa e fazer qualquer tarefa doméstica. Para isso, empresas apostam em humanoides, com formato parecido com o do corpo humano. A lógica é que as casas foram feitas para pessoas: portas, maçanetas, gavetas, escadas e prateleiras estão na altura e no formato de mãos e pernas humanas.

Esses robôs ainda estão em testes, demonstrações e programas-piloto. Não são produtos que se compram numa loja e funcionam em qualquer casa. O resultado da Figure mostra o tamanho do desafio: mesmo num teste bem-sucedido, quase metade das tentativas falhou.

Por que dobrar uma toalha é tão difícil para uma máquina

Para uma pessoa, dobrar uma toalha é automático. Para um robô, é um dos problemas mais complicados da área.

Objetos que mudam de forma

Uma caixa tem sempre o mesmo formato. Uma toalha, um lençol ou uma camiseta mudam a cada movimento: dobram, amassam, escorregam. O robô precisa enxergar onde está cada ponta e prever como o tecido vai reagir quando for puxado.

Cada casa é diferente

Móveis em lugares diferentes, luz variando ao longo do dia, objetos espalhados, tapetes, animais de estimação. Um robô treinado num laboratório pode se perder quando encontra uma sala bagunçada que nunca viu. Por isso o teste em casas desconhecidas, sem mapeamento prévio, chama atenção.

Mãos delicadas e fortes ao mesmo tempo

Arrumar uma cama exige força para puxar o lençol e delicadeza para não rasgar nada. Coordenar os dedos, os braços e o equilíbrio do corpo inteiro ao mesmo tempo ainda é difícil para as máquinas.

Pesquisadores costumam lembrar que computadores ficaram bons primeiro em tarefas que parecem difíceis para nós, como calcular ou jogar xadrez, e só depois começaram a avançar nas que fazemos sem pensar, como pegar e manipular objetos. A tarefa doméstica está justamente nesse segundo grupo.

Quando o robô humanoide chega às casas

Não há uma data confiável. O caminho mais provável é gradual: primeiro em ambientes controlados, como fábricas e armazéns, depois em programas-piloto com algumas famílias e, só mais adiante, em vendas amplas. Preço, segurança perto de crianças e animais, privacidade das câmeras dentro de casa e taxa de acerto ainda precisam evoluir. Enquanto isso, o aspirador robô continua sendo o robô doméstico mais útil que dá para ter.

Perguntas frequentes

Já dá para comprar um robô doméstico que faz tudo?

Não. Os robôs à venda fazem tarefas específicas, como aspirar, passar pano, cortar grama ou limpar piscina. Os humanoides que tentam fazer várias tarefas ainda estão em testes e demonstrações.

Qual foi o resultado do robô da Figure nas casas?

Em 420 tentativas feitas em 30 casas desconhecidas de São Francisco, o robô com o sistema Helix 2.5 completou 56% das tarefas, contra 9% da versão anterior. Os números são da própria empresa e ainda não têm validação independente.

Por que robôs têm dificuldade com roupas e toalhas?

Porque tecidos mudam de forma a cada movimento. O robô precisa enxergar as pontas, prever como o pano vai se comportar e dosar a força das mãos, algo que pessoas fazem sem pensar.

Robô aspirador vale a pena?

Para manter o chão limpo no dia a dia, costuma ajudar bastante, principalmente em casas sem muitos obstáculos. Ele não substitui uma faxina completa, mas reduz o trabalho de varrer e aspirar.

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