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Tamagotchi: a história do bichinho virtual que voltou

Por Leila Alves Pereira5 min de leitura
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Tamagotchi: a história do bichinho virtual que voltou

Resumo em 30 segundos

O Tamagotchi, bichinho virtual que cabia num chaveiro, virou febre no fim dos anos 1990, saiu de moda e nunca desapareceu de vez. Entenda por que ele marcou uma geração e como agora inspira o Muse Charm, aparelho de IA da Meta.

Neste artigo

O Tamagotchi é um bichinho virtual que vive dentro de um pequeno aparelho em formato de ovo, com uma tela simples e três botões, e que precisa ser alimentado, limpo e cuidado ao longo do dia para crescer. Lançado no Japão em 1996, ele virou febre mundial, saiu de moda e voltou várias vezes. Agora, serve de inspiração para um produto de inteligência artificial: o Muse Charm, aparelho de bolso que a Meta apresentou no evento Connect.

O Tamagotchi da Meta: o que é o Muse Charm

O Muse Charm foi revelado por Mark Zuckerberg e tem design inspirado nos bichos virtuais clássicos. A proposta é que ele seja usado como acessório de moda, aproveitando a onda de tecnologia retrô que ganhou força entre a Geração Z.

O aparelho tem tela de 2 polegadas, sensor de impressões digitais para ativar a conversa por voz e conexão 5G. Ele funciona de forma independente, sem precisar de aplicativo no celular. Por dentro roda o Muse, agente de IA da Meta que já soma milhões de downloads nos Estados Unidos.

O lançamento faz parte de uma mudança de rumo da empresa, que passou a direcionar para a chamada superinteligência pessoal investimentos que antes iam para o metaverso. Analistas questionam se o produto vai ter adoção em massa, mas a Meta aposta na nostalgia e na portabilidade. A previsão é que o Muse Charm esteja disponível para envio até as festas de fim de ano de 2026.

Como nasceu o bichinho virtual

O Tamagotchi foi criado pela fabricante japonesa de brinquedos Bandai. O nome mistura a palavra japonesa para ovo (tamago) com uma terminação que lembra relógio de pulso em inglês, já que o aparelho era pequeno e acompanhava o dono o tempo todo.

A ideia era simples: dar a qualquer pessoa um animal de estimação que coubesse no bolso. O brinquedo vinha preso a um chaveiro, e a criatura nascia de um ovo na tela. A partir daí, o dono acompanhava todas as fases da vida dela.

Como funcionava

O bichinho tinha medidores de fome e de felicidade. Para mantê-los em dia, era preciso dar comida, brincar com joguinhos simples, limpar a sujeira e dar remédio quando ele ficava doente. O aparelho apitava para pedir atenção, inclusive no meio da aula.

Dependendo de como era tratado, o personagem crescia de um jeito diferente. Quem descuidava via o bichinho ficar doente e, nas primeiras versões, até morrer. Bastava reiniciar para começar de novo, mas a perda pesava para muita criança.

Por que o Tamagotchi virou febre

O sucesso foi rápido. Depois do Japão, o brinquedo chegou a outros países no ano seguinte e vendeu milhões de unidades em pouco tempo. Havia filas em lojas e faltava produto nas prateleiras.

Parte do encanto estava na responsabilidade. O Tamagotchi criava um vínculo emocional com algo que, no fundo, era só um conjunto de pixels. Ele também era fácil de levar para qualquer lugar e barato perto de um videogame.

A febre trouxe polêmica. Muitas escolas proibiram o aparelho porque os apitos atrapalhavam as aulas e os alunos se distraíam cuidando do bichinho. No Brasil, o brinquedo e várias versões parecidas ficaram conhecidos simplesmente como bichinho virtual.

Por que ele sumiu e por que nunca desapareceu

Como toda moda, a do Tamagotchi passou. Em poucos anos, as crianças migraram para videogames portáteis mais completos e, depois, para os celulares, que passaram a oferecer jogos muito mais variados.

Mesmo assim, a Bandai nunca abandonou a marca. Ao longo dos anos 2000, 2010 e 2020, lançou novas versões com tela colorida, conexão entre aparelhos e recursos que o original não tinha, além de reedições do modelo clássico para quem queria reviver a infância.

O Tamagotchi também deixou uma herança maior que o próprio brinquedo. A lógica de cuidar de algo todo dia e voltar para checar como ele está aparece em muitos jogos de celular. E a ideia de um companheiro digital que mora no bolso é, de certa forma, o que os aparelhos de IA tentam oferecer agora.

Por que a nostalgia virou estratégia da tecnologia

Produtos com cara de passado têm feito sucesso entre jovens que nem viveram a época original. Câmeras digitais antigas, aparelhos de música e acessórios com visual dos anos 1990 e 2000 voltaram a circular.

Para as empresas de tecnologia, isso é uma oportunidade. Um aparelho de IA com visual familiar parece menos estranho e mais simpático do que um gadget totalmente novo. O Muse Charm troca o bichinho que pedia comida por uma IA que conversa, mas mantém a mesma promessa: um companheiro pequeno, sempre por perto.

Perguntas frequentes

Quando o Tamagotchi foi lançado?

O Tamagotchi foi lançado pela Bandai no Japão em 1996 e chegou a outros países no ano seguinte, quando virou febre mundial.

O que acontecia se a pessoa não cuidasse do Tamagotchi?

O bichinho ficava com fome, triste ou doente. Nas primeiras versões, o descuido podia levar o personagem a morrer, e era preciso reiniciar o aparelho para começar outro.

O Tamagotchi ainda é vendido?

Sim. A Bandai continua lançando versões novas e reedições do modelo clássico, com recursos que o original não tinha.

O que o Muse Charm tem a ver com o Tamagotchi?

O aparelho de IA da Meta tem design inspirado no bichinho virtual e cabe no bolso. Em vez de um animal para cuidar, ele traz um assistente de IA que conversa por voz, sem depender do celular.

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